Num incidente de cibersegurança, os primeiros minutos valem mais do que as horas seguintes. E quem está presente quando tudo começa raramente é a equipa de TI — é o colaborador que clicou no anexo, que viu o pedido de resgate no ecrã ou que recebeu um alerta de início de sessão estranho. Este guia da HJFR define um procedimento básico de resposta a incidentes, com uma checklist simples que qualquer pessoa consegue seguir, sem conhecimentos técnicos. No final, pode descarregar gratuitamente a checklist em PDF (pronta a imprimir e afixar) e o procedimento completo em formato editável, para adaptar à sua organização.
O que conta como incidente de cibersegurança?
Um incidente é qualquer evento que comprometa — ou possa comprometer — a confidencialidade, a integridade ou a disponibilidade dos sistemas e dos dados da organização. Na prática, reconhece-se melhor pelos exemplos:
- Phishing — clicou numa ligação ou anexo suspeito, ou introduziu credenciais numa página duvidosa;
- Ransomware — pedido de resgate no ecrã, ficheiros cifrados ou com nomes e extensões estranhos;
- Conta comprometida — alertas de início de sessão que não reconhece, emails enviados que não escreveu, pedidos de autenticação (MFA) que não solicitou;
- Comportamento anómalo — lentidão súbita, janelas que abrem sozinhas, programas desconhecidos, cursor a mover-se sozinho;
- Equipamento perdido ou roubado — portátil, telemóvel ou pen USB com dados da organização;
- Fraude por email ou telefone (BEC/vishing) — pedidos urgentes de pagamentos ou de dados, supostamente da administração, de clientes ou de fornecedores;
- Exposição acidental de dados — email enviado ao destinatário errado, pasta partilhada aberta ao público.
Regra simples: na dúvida, trate como incidente e comunique. Um falso alarme custa minutos; um incidente ignorado pode custar a empresa.
A regra de ouro
PARAR · ISOLAR · COMUNICAR · PRESERVAR
Pare de usar o equipamento; isole-o da rede (sem o desligar da corrente); comunique de imediato ao contacto interno; preserve tudo — não apague nada e não tente resolver sozinho.
O procedimento, passo a passo
Seis passos, pela ordem certa. Foram pensados para qualquer colaborador — não é preciso «saber de informática» para os cumprir.
1. Pare
Pare de usar o equipamento. Não feche janelas nem sessões, não apague emails, ficheiros ou histórico. Não desligue o computador da corrente — a memória pode conter evidências essenciais à investigação.
2. Isole da rede
Desligue o cabo de rede e o Wi-Fi (ou ative o modo de voo). Em teletrabalho, desligue o equipamento do router. Só corte a alimentação se a equipa técnica o indicar. Se não souber como isolar, peça ajuda de imediato — pedir é sempre melhor do que adivinhar.
3. Comunique de imediato
Avise o contacto interno definido — TI, segurança ou chefia. Se o email puder estar comprometido, use o telefone ou fale pessoalmente. Nunca assuma que outra pessoa já reportou: minutos fazem a diferença entre um posto de trabalho afetado e a rede inteira cifrada.
4. Registe o que aconteceu
Anote a hora, o que estava a fazer, em que clicou ou o que abriu, e as mensagens apresentadas no ecrã. Fotografe o ecrã com o telemóvel — não faça capturas de ecrã no próprio equipamento afetado.
5. Não tente resolver sozinho
Não execute antivírus nem «limpezas», não reinstale, não restaure cópias de segurança, não mude palavras-passe no equipamento afetado, não pague resgates e não responda ao atacante. Cada uma destas ações pode destruir evidências ou agravar o dano.
6. Siga as instruções da equipa
Quando a equipa de resposta indicar, mude as palavras-passe a partir de um equipamento seguro, começando pelas contas críticas (email, acessos da organização, banca), e confirme que a autenticação multifator (MFA) está ativa.
Checklist do colaborador
Este é o resumo de bolso do procedimento. Imprima, afixe junto aos postos de trabalho e garanta que todos a conhecem antes de precisarem dela.
Checklist — assinale por ordem
- Parei de usar o equipamento — sem o desligar da corrente.
- Isolei da rede: cabo desligado, Wi-Fi e dados móveis desativados.
- Não apaguei nem alterei nada (emails, ficheiros, histórico).
- Comuniquei ao contacto interno definido pela organização.
- Registei a hora e o que aconteceu; fotografei o ecrã com o telemóvel.
- Guardei os emails e mensagens suspeitos; não os reencaminhei a ninguém.
- Não tentei resolver sozinho; não paguei nada nem respondi ao atacante.
- Alertei os colegas próximos, sem reencaminhar conteúdos maliciosos.
- Mudei palavras-passe apenas quando indicado, num equipamento seguro, e verifiquei o MFA.
- Fiquei disponível para as perguntas da equipa de resposta.
Descarregue a checklist pronta a imprimir (PDF, A4) ou o procedimento completo em formato editável, com os campos para preencher os contactos internos da sua organização:
E depois? As cinco fases da resposta
Comunicado o incidente, a responsabilidade passa para o responsável designado — interno ou externo. Em traços largos, a resposta segue cinco fases:
- Avaliar e conter — identificar sistemas e dados afetados, isolar o necessário e trocar credenciais expostas a partir de equipamentos seguros;
- Cumprir obrigações legais:
- violação de dados pessoais — notificar a CNPD no prazo de 72 horas (art. 33.º do RGPD);
- reportar o incidente ao CERT.PT / CNCS (cert@cert.pt);
- entidades abrangidas pela diretiva NIS2 — alerta precoce ao CSIRT competente em 24 horas;
- suspeita de crime — queixa à Polícia Judiciária;
- Erradicar — remover a causa: malware, contas comprometidas, vulnerabilidade explorada;
- Recuperar — repor sistemas a partir de cópias de segurança íntegras e monitorizar reincidências;
- Aprender — registar o incidente, rever o que falhou e atualizar procedimentos e formação.
Prepare a sua organização antes do incidente
Um plano escrito durante a crise vale pouco. Cinco medidas de preparação mínima:
- Contacto de reporte definido, com substituto, afixado e conhecido por todos;
- Cópias de segurança 3-2-1 — 3 cópias, 2 suportes diferentes, 1 fora da rede — testadas com regularidade;
- MFA ativo em todas as contas e palavras-passe únicas geridas num gestor de palavras-passe;
- Atualizações de segurança aplicadas sem demora;
- Formação e simulações regulares, apoiadas por monitorização capaz de detetar cedo o que os olhos não veem.
Na HJFR ajudamos micro, pequenas e médias empresas a preparar-se para o pior dia — da definição do plano de resposta e gestão de ameaças à monitorização contínua e à formação de colaboradores. Quer pôr este procedimento a funcionar na sua organização? Fale connosco.
